- Acho que te imaginei um dia, quando era criança. Um daqueles impulsos de criatividade sabe? Tentava imaginar como seria uma personagem legal para um conto, da qual eu gostasse. Bem, eu imaginei e fui encontrar anos depois, fora da minha cabeça.
- Tu gosta porque não convive comigo.
- Talvez sim, mas isso minha personagem também tinha. Gênio forte e segredos que só eu conhecia. Mas nem por isso deixava de ser ela.
- Que amor essa tua cabecinha.
- Funciona de uma forma meio estranha, mas funciona. Então, ainda bem que tu existe, que não é fruto da minha imaginação. Ainda bem que não é minha e que não posso te controlar, pois eu estragaria tudo!
- Assim eu estrago tudo sozinha!
- Faça isso. Por favor, não deixe tudo normal, bagunce tudo mesmo. Se não tudo perde a graça. Eu também faço isso, mas da minha maneira, que é meio quadrada mesmo.
a minha vida é toda verdade
amores, bebedeiras e outras bobagens
20.7.11
29.6.11
A Cama
Ele tinha tudo. Todo o dinheiro que ela nunca ia ter, mesmo que trabalhasse todas as 24 horas do dia.
O lustre da sala - ou o lustre do hall, ou qualquer lustre da casa - deveria custar alguns meses do aluguel que ela pagava. Talvez até um ano inteiro. Ou mais. Ela não fazia ideia do preço de lustres enormes, pesados e brilhantes. Eles nunca fizeram parte da sua vida. E ele queria ela. E a cama dele era quase da largura do quarto dela. Macia na medida certa. O melhor travesseiro em que ela já dormira. E os lençóis...
Ele a queria, desejava-a. E sempre tivera tudo o quis e desejou. O dinheiro sempre lhe deu tudo. Aquele carro esportivo na garagem deve ter ajudado. Mas para ela, tanto fazia. Acostumou-se a caminhar, pegar ônibus. E assim ela ia. Sempre chegava aonde queria. E ela não gostava de ouvir que era "diferente". Preferia acreditar que as mulheres se entregavam aos homens por tesão.
...
Ela começara o dia com uma taça de vinho. Depois mais outra, e ainda mais um pouquinho. No churrasco, cervejas, muitas cervejas e algumas caipirinhas. Uns pedaços de carne ajudavam o corpo a ficar em pé. Dizem que paulista não sabe fazer churrasco, mas aquela carne tava bem boa. E assim foi até a noite. E ela resolveu, mesmo assim, sair com ele. Estava meio bêbada, mas não dava nada.
Cada um com sua cerveja, ele dá o bote e PERAÍ. Não quero. Sai fora! Ela já não o vê com os mesmo olhos. Perdera a inocência. Discutiram, brigaram e ela se imaginava segurando um revolver e atirando uma, depois mais outra e ainda outra vez contra o peito dele. Empurrando-o de um precipício. Estrangulando-o. Aquela prepotência toda deixava-a extremamente irritada. Ele, nervoso, tentava provar que sua genética era superior. Foda-se a genética! Ela não queria saber de genética nenhuma. Não pretendia deixar descententes para a espécie humana nem hoje, nem nunca. Só queria viver. Sozinha. Se fosse para ser com alguém, que fosse alguém agradável, pelo menos. Não era o caso.
...
Outro bar. Mais uma cerveja e uma dose de tequila e mais duas. Purinhas. Sal e limão só atrapalhavam, pensava ela. Chega.
...
Acordara sozinha, vestida. As lembranças querendo escapar enquanto ela esticava os braços para apanhá-las antes que fugissem. Como aquela cama era incrível. Abraçava-a como a noite engole o dia e com a sutileza da brisa que carrega o cheiro do mar para além da orla. E os lençóis...
O lustre da sala - ou o lustre do hall, ou qualquer lustre da casa - deveria custar alguns meses do aluguel que ela pagava. Talvez até um ano inteiro. Ou mais. Ela não fazia ideia do preço de lustres enormes, pesados e brilhantes. Eles nunca fizeram parte da sua vida. E ele queria ela. E a cama dele era quase da largura do quarto dela. Macia na medida certa. O melhor travesseiro em que ela já dormira. E os lençóis...
Ele a queria, desejava-a. E sempre tivera tudo o quis e desejou. O dinheiro sempre lhe deu tudo. Aquele carro esportivo na garagem deve ter ajudado. Mas para ela, tanto fazia. Acostumou-se a caminhar, pegar ônibus. E assim ela ia. Sempre chegava aonde queria. E ela não gostava de ouvir que era "diferente". Preferia acreditar que as mulheres se entregavam aos homens por tesão.
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Ela começara o dia com uma taça de vinho. Depois mais outra, e ainda mais um pouquinho. No churrasco, cervejas, muitas cervejas e algumas caipirinhas. Uns pedaços de carne ajudavam o corpo a ficar em pé. Dizem que paulista não sabe fazer churrasco, mas aquela carne tava bem boa. E assim foi até a noite. E ela resolveu, mesmo assim, sair com ele. Estava meio bêbada, mas não dava nada.
Cada um com sua cerveja, ele dá o bote e PERAÍ. Não quero. Sai fora! Ela já não o vê com os mesmo olhos. Perdera a inocência. Discutiram, brigaram e ela se imaginava segurando um revolver e atirando uma, depois mais outra e ainda outra vez contra o peito dele. Empurrando-o de um precipício. Estrangulando-o. Aquela prepotência toda deixava-a extremamente irritada. Ele, nervoso, tentava provar que sua genética era superior. Foda-se a genética! Ela não queria saber de genética nenhuma. Não pretendia deixar descententes para a espécie humana nem hoje, nem nunca. Só queria viver. Sozinha. Se fosse para ser com alguém, que fosse alguém agradável, pelo menos. Não era o caso.
...
Outro bar. Mais uma cerveja e uma dose de tequila e mais duas. Purinhas. Sal e limão só atrapalhavam, pensava ela. Chega.
...
Acordara sozinha, vestida. As lembranças querendo escapar enquanto ela esticava os braços para apanhá-las antes que fugissem. Como aquela cama era incrível. Abraçava-a como a noite engole o dia e com a sutileza da brisa que carrega o cheiro do mar para além da orla. E os lençóis...
15.6.11
Dói de tão lindo
...e é por isso que me obrigo a escrever sobre o que eu sinto. Sem dor, sigo sempre no marasmo. Com ela, me obrigo a olhar para minha alma adormecida. Também pudera, como não adormecê-la quando se é eu? Precisei fazer isso. Viver estava sendo um inferno. Então procurei voltar minha atenção para o mundo lá fora e esquecer do que se passava aqui dentro. Fui feliz. Me diverti muito vivendo minha vida superficialmente. Até que um rapaz, uma música e um filme me fizeram voltar novamente meu olhar para dentro de mim. Para o meu coração e todos aqueles sentimentos esquecidos no fundo de uma gaveta qualquer. Nunca os tranquei, apenas deixei de pensar neles. E assim vivi a minha vida no último ano. Até a última sexta-feira.
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